É, infelizmente, muito comum atirar-se à caneta de quem defende que está errado entregar crianças ao cuidado de casais homossexuais a carta do facto de estarem numa instituição em que não tem pais, ou até dos casos em que as crianças são vítimas de maus tratos em famílias tradicionais, nas próprias instituições onde estão, e muitas outras coisas que ninguém no seu perfeito juizo, muito menos um pai, como eu, desejaria para um filho.
Curiosamente, ninguém responde com o que seria mais imediato, como com a conclusão de que quem o diz está a defender que uma família (até biologicamente coerente) tradicional seja preferível. Porque é precisamente disso que se trata. Penso que para isso, não serão precisos muitos argumentos: uma mãe e um pai serão sempre, em princípio, um contexto mais vantajoso para uma criança que qualquer outro.
Isto de se trazer ao barulho casos de violência e outras coisas como sobreposição a adoção por casais homossexuais até dá a entender que não é possível rebater o argumento sem ir buscar situações piores que uma que, à partida, já não é boa. E isto parece-me nítido porque, lá está, não se oferece como alternativa algo que seria o equivalente heterosexual, coisa que, para todos os efeitos, não o é.
Nunca fará sentido depreender à partida que, por não se desejar algo para uma criança por se considerar prejudicial, se vai dar preferência a outro algo igualmente prejudicial ou pior.
Se eu defender – e entenda-se que não estou a comparar nada com nada aqui – que não se devem dar chocolates a mais às crianças, não prefiro, obviamente, que lhes dêem outras coisas que façam tão mal ou pior. Se eu defender que não se deve deixar as crianças fumar, não prefiro que se lhes dê vinho ou coisas piores. Não é por haver crianças a que se dá açúcar em doses iguais ou mais elevadas que aquelas que o chocolate tem que eu vou passar a achar menos mal que se lhes dê chocolate em demasia. O mesmo para o fumar. Ou para o que quer que seja que possa trazer malefícios ao seu desenvolvimento, tanto físico como psíquico ou moral.
É assim tão difícil de entender?
Pedro