“America” e o bom comunismo

A revista Jesuita “America” publicou um artigo intitulado “The Catholic case for Communism”.

https://www.americamagazine.org/faith/2019/07/23/catholic-case-communism

A coisa não deve ter sido muito bem recebida, já que passados uns dias foi necessário publicar um outro texto a explicar o porquê de uma revista católica ter publicado um ensaio que demonstra simpatia pelo comunismo (1).

“It is when the communists are dangerous that they are good”, termina assim o “catholic case”.

Concordo inteiramente. Infelizmente.

O que não se entende muito bem é como é que se chega a esta conclusão, já que, como o próprio autor admite:

“Communist states and movements have indeed persecuted religious people at different moments in history.”

Eu diria de outro modo… não “at different moments in history” mas algo mais na linha de “at all moments in history since its insidious conception”, mas enfim.

Diz-se também, como contraponto, que os regimes comunistas tiveram representantes católicos, tais como Ernesto Cardenal, entre outros, exemplos que talvez não sejam os mais ortodoxos, como bem se sabe. Mas hoje em dia, louvar aqueles que foram apontados, literalmente, recordando São João Paulo II, como não sendo bons exemplos do que um padre deveria ser, não faz mal. Mas o que sabia São João Paulo II sobre o comunismo… As voltas incorruptas que ele deve dar no túmulo.

Também não faz mal nenhum passar por cima do constante aviso de que ser-se socialista / comunista e católico não é compatível, coisa que é claríssima quando se vêem os programas políticos dos partidos encostados à esquerda.

Mas chega de ser simpático e corretinho. Como é que é possível fazer-se uma afirmação tão absurda e em jeito de cuspidela para com todos os mártires desta ideologia? Também se poderia fazer um artigo intitulado

“The Jewish case for Nazism”?

Ou

“The Catholic case for atheism, abolition of religion, despotic governments, confiscation of immigrant property and mass murder of those who oppose the revolution and do not see how wonderful life would be for them if they didn’t”?

Ai não, espera… Este último título é apenas uma maneira alternativa de frasear o título verdadeiro…

Será que o autor do artigo pensa que as pessoas não sabem ler o que o próprio Marx escreveu sobre a religião e a sua abolição e suplantação pelo comunismo?

Para quem tenha dúvidas ou não saiba (e o autor do artigo, assim como os responsáveis pela revista Jesuita “América” estão incluidos nos que, provavelmente e até esperançosamente, embora o diga com uma carga de ingenuidade que até a mim incomoda, ignoram o que haja de mais básico na história do sex. XX e que se continua a passar), basta visitar (2) e saltar para a parte intitulada “Draft of a Communist Confession of Faith”.

Termino com um comentário à foto do artigo… Não consigo conceber uma situação em que se oferecesse uma suástica artisticamente transformada numa estrela de David a um rabi e que isso fosse visto, por quem quer que seja, com bons olhos. Gosto de pensar que o Papa Francisco teve de engolir um sapo tremendo para conseguir manter a postura. Mas isso sou eu, porque o autor do artigo, provavelmente, usou a foto como suporte ao que está a apregoar. Mundo estranho este em que vivemos.

Pedro Pulquério Vieira


(1) https://www.americamagazine.org/politics-society/2019/07/23/why-we-published-essay-sympathetic-communism

(2) https://www.marxists.org/archive/marx/works/download/pdf/Manifesto.pdf

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